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domingo, 5 de abril de 2020

Imersão

Não estamos apenas recolhidos em casa, estamos também recolhidos em nós, avaliando o que fizemos até aqui e o quanto queremos fazer nos próximos anos. 
O agora ficou lento o suficiente para enxergarmos a nós mesmos . Sempre nos vimos através do outro, agora o enxergamos através de nós. 
Uma nova consciência surge em tempos tão caóticos. A ilha em que vivíamos e que nos absorveu está se diluindo e começamos a ressurgir. 
Sim, já não somos uma ilha, somos jangadas, buscando um porto seguro. Uma jangada em mar aberto, recolhendo momentos, instantes de vida espalhados, flutuando em pequenas boias da lembrança. 

Praia, Tufão, Ondas Altas, A Natureza Do Assédio, Ilha

Recolhidos, enjaulados e a solidão não parece ser mais o pior inimigo, tornou-se aliada. 
É na solidão do meu eu que incorporo esses instantes, aceitando que existem outros reclusos com momentos idênticos, mas que haviam sido esquecidos. 
O mar interior está revolto, ondas imensas de saudades nos obrigam a recuar para poder avançar. Recuamos para abraços passados, beijos distantes no tempo, risadas, contatos... Ahhh, que falta pode fazer um instante! 
E seguimos em nosso recolhimento interior com os dias, lá fora, passando inexoráveis. 
Não há previsões, não cabem previsões nem lá fora, nem aqui dentro. 
Normalidade é uma palavra que também ficou pra trás, boiando com as recordações. A diferença é que ela se afasta, não se junta a nada. É como se a normalidade fosse momentos pontilhados, sem traços definidos. 
Penso a respeito e percebo que somente os momentos vividos com emoção e compartilhamento possuem linhas retas, com espessuras das mais variadas. São reais. 
A normalidade pontilhada nunca existiu além das nossas crenças. Pensei que em momentos de crise o melhor seria buscar a normalidade. Que grande equívoco! 
Não sei quanto aos outros, mas sinto alívio em ver a normalidade se afastar. É um grande iceberg em nossa vida . Um iceberg pontilhado sim, mas imensamente pesado. Como é transparente podemos ver tudo o que há dentro dele: a rotina que odiamos, a forma de trabalhar que consome as 24 horas do dia, a preocupação exagerada pelos demais, nossas opções mais ousadas amontoadas sob o tapete do medo, as opiniões alheias ocupando espaços importantes, baús e mais baús contendo soluções práticas para agradar a todos, gaiolas de sentimentos controlados e vigiados, e uma caixa de entrada, dessas de escritório para documentos vindos de fora, só que imensa, que ora parece cheia e ora vazia. 
Numa etiqueta, colada na frente da caixa de entradas, estava escrito: ama-me! Compreendo que o amor não é delivery, não aceita pedidos pra pronta entrega, esse tipo de amor que comporta em uma caixa de entradas é inseguro e inconstante, variando conforme nossas necessidades: quanto mais precisamos, menos temos e vice-versa, porque o amor verdadeiro não cabe na normalidade, e não depende das nossas carências. 
Quase cai dessa jangada emoção... Essa é a normalidade que abarcanhava minha vida e pode estar envolvendo a sua vida agora. 
A quarentena segue e nosso recolhimento também, aliás creio que, terminando o confinamento, poderemos seguir submergindo para descobrir mais tesouros, desses que nos tornam ricos para o resto de uma vida louca e feliz.  

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Afeto a Fonte da Vida

Depois de ler uma reportagem a respeito de uma senhora de 61 anos que faleceu de inanição, fiquei pensando na crueldade em deixar uma pessoa morrer de fome, de não ter havido mãos acolhedoras em direção a ela antes que fosse tarde.
O fato é que, quando se fala em fome pensamos logo em alimento: arroz, feijão, carne, legumes... Pensamos no que a falta desses produtos produzem no organismo, e nos esquecemos de que, aliada a essa carência, está outro tipo de fome, que diz respeito ao emocional, elemento vital para a sustentação do indivíduo como ser vivo. Eu falo da necessidade premente de carinho, de atenção. Falo da fome de afeto.

Ali, deitada no chão frio de um quartinho sujo, havia um ser humano passando por dois tipos de privação. Um ser humano em situação de penúria física e emocional.  Essa, infelizmente, é a realidade de muita gente.
A falta de alimento se nota no físico, de imediato. Mas existem faltas em que o corpo não apresenta debilidade, pelo menos é preciso atenção para que se note alguma alteração, que acontece devagar, ao longo do tempo, mas mesmo em um organismo bem nutrido, a falta do alimento afeto poderá causar um dano irremediável.
É uma inanição que ninguém pode ver, qualificada por vezes como sendo uma infantilidade ou “frescura”. Fico pensando que a falta desse alimento tão importante também pode ser considerada causa mortis entre jovens e adultos.
Por isso é fácil verificar pessoas que saem da casa dos pais, da cidade ou do país, passarem por momentos de desorientação e angústia. É a falta de afeto que nos leva, algumas vezes, a buscar aceitação em grupos que nem sempre possuem algo em comum conosco.
É a falta de afeto que nos torna bruscos e arrogantes...
Uma criança que cresce sem afeto se torna um adulto seco, que não possui empatia com a dor do outro.

O mundo atual está tão preso ao consumismo exagerado, às noticias imediatistas e passageiras e pouco preocupado com a saúde emocional. O homem ainda não aprendeu a amar e a ser afetuoso com o outro e principalmente consigo mesmo, uma das consequências do desenvolvimento desenfreado de atividades que não exigem interação. O uso abusivo do celular, com privação de convívio humano, é um exemplo dessa forma solitária e sem afeto, de viver. 

sábado, 2 de setembro de 2017

Tempos Idos e Atuais



Houve um tempo em que a palavra valia mais que qualquer assinatura, e um fio de bigode tinha valor de confiança.
Não que eu queira reviver o passado transbordando um saudosismo piegas, mas pela ordem natural das coisas o que sempre foi bom e justo deveria assim permanecer. Porém, de repente o progresso fornece munição aos maus e tira das mãos dos bons as armas que os protegem.
De repente... Tão de repente que ninguém se deu conta da transformação, houve uma época em que ser esperto era algo natural, tão próprio do ser humano. E a política do “levar vantagem” foi se espalhando em silêncio, sorrateiramente, incorporando-se nas casas, nas empresas, na sociedade, entre os jovens, na família... O filho pra respeitar e obedecer ao pai passou a ter que ganhar algo em troca: um celular, um carro, um computador... O empregado não se sente mais envergonhado em abastecer sua casa com os materiais de escritório da empresa, o aluno barganha nota usando a influência dos pais – boa ou má. Um jeitinho aqui, um pagamento ali... Para ser político já não precisa entender de política, basta pegar uma criancinha no colo, apertar a mão do pai e prometer uma “ajudazinha” aqui e acolá. Para dirigir um Estado ou um País, precisa mais que nunca fechar conchavos, pactuar com “o diabo” e esquecer as leis que ele próprio atribuiu a um Deus, a esse mesmo Deus a quem ele passou a utilizar para conquistar almas para o seu rebanho sem consciência.
Aliás, a palavra consciência continuou sendo tão duramente utilizada para castrar e amordaçar, mas deixou de existir tanto quanto voz moral quanto lugar seguro da realidade. O prazer foi dominado pelo poder e instigado por uma organização chamada mídia, que explode, a todo instante, bombas de imagens, tão rápidas e sugestivas que faz o indivíduo achar que sua vontade ainda lhe pertence, embora faça tudo que seu mestre mandar. 
As crianças, de repente, não mais que de repente se tornaram miniaturas de adultos, e estes, desnorteados pela invasão de informações contraditórias, se transformaram em depósito de lixo auditivo e visual.
E chegou o tempo da colheita... E hoje o bom tempo ficou ocioso e o mau tempo sobrecarregado de injustiças sociais, de intolerância e desordem. Respeito não é mais palavra de ordem, empatia uma via de mão única, amor ao próximo ficou obsoleto e cada um acredita que sua verdade é a que vale sobre as demais.
Chegou o tempo da colheita... Os campos emocionais estão repletos de tristezas, de ódios e plantações inteiras de síndromes e complexos. Nunca se tomou tantos medicamentos para dores existenciais e essas dores nunca foram tão perturbadoras.
Nos dias de hoje o que vale é não sofrer, é enganar o cérebro com remédios que dão a ilusão de que a felicidade existe e se esconde nas pequeninas cápsulas, muitas vezes sem receita, indicadas por pseudomédicos, formados nas escolas da transgressão. E essas cápsulas mágicas fazem o tempo parecer alado, voando rápido de um extremo a outro da consciência e ninguém mais se entende no olho no olho. Mas para que se podemos nos entender nas redes, não aquelas que balançam ao sabor do tempo, mas aquela rede intrincada e perigosa onde todo mundo é feliz e bondoso até que alguém diga: Culpado! Homo! Negro! Pobre, Riquinho... Palavras, só palavras, mas que carregam em si a amargura dos seres, o preconceito e a maldade dos que não aprenderam a sonhar, porque hoje em dia sonhar é para poucos, para quem ainda tem coragem de remar contra a maré, para quem, mesmo sem saber nadar, se atreve a atravessar o mar de lama e destruição moral que assola o novo tempo, que desperta o que há de pior no individuo fabricado por aquele tempo do jeitinho, onde tudo era permitido. 

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Você poderá gostar de ler também: A fragilidade humana


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domingo, 8 de janeiro de 2017

O tempo não para

E de repente uma sensação de imenso vazio, e uma tristeza tão grande que parece não ter fim. De repente a vida parece curta, invivida. De repente...

Eu não sei em que ponto o caminho se perdeu, em que parte a história se rompeu. Só sei que acordei assim, achando que o cristal se quebrou e o brilho que luzia e me enfeitiçava já não existe mais.
Assim, sem mais nem porquês, apenas de repente.
Ainda ontem pensava que havia tempo para tudo, que o mundo não girava tão depressa e eu podia controlar as horas, os minutos... os segundos.
Mas acordei e vi que já não há tanto tempo, que as horas não parecem ter sessenta minutos, mas sessenta segundos, e que os milésimos de segundo são partes da minha imaginação.
Quem poderia afirmar que o curso da vida seria tão veloz? Como, se ainda ontem eu tinha apenas vinte anos?
Se eu fechar os olhos e voltar a dormir poderei voltar no tempo ou descobrir que tudo não passou de um sonho? Que aquelas horas mortas de tédio ou inércia não existiram e nem ao menos influíram para esse vazio que agora me consome?
Perguntas...
O tempo consome as respostas quando as perguntas são lentas. O tempo consome as perguntas quando se tem as respostas.
O tempo não cria, o tempo não dispõe. Ele apenas observa.
O tempo não chora nossas perdas, não sorri de nossas alegrias. Ele apenas observa e passa.
E passa inexoravelmente. Não adianta suplicar. Ele não para pra você descer, ele não dá “pause”, ele não se importa se você não o acompanha.
Mas o tempo não é mau. O tempo sabe ser bom.
O tempo não te prende no infortúnio, ele não te aprisiona no passado.
Ele ajuda a esquecer das dores, dos conflitos...
Ele auxilia passando, voando. E de repente já não temos mais vinte anos. E de repente acordo com essa vontade de voltar atrás, só um pouquinho.
E percebo que o vazio não é do tempo, mas de mim. Que apesar do tempo transcorrido eu não transcorri. Permaneci naquele ponto distante, onde nem me lembro mais.
Aquelas horas mortas existiram e me roubaram o tempo. Não o tempo do mundo, mas o que me habita e que eu sabotei.
Essa é a tristeza da alma e que demora traduzir. Quanto tempo ainda me resta? Quantas horas tenho pra ser feliz?
Olho o relógio na parede, os ponteiros passando, dia após dia, pelos mesmos lugares... Que desventura, que rotina sem sentido. Mas ele representa o tempo, enquanto está vivo não para. Observo a pequena bateria que o mantém vivo e penso na bateria que me move, na rotina do relógio que passa pelos mesmos lugares sem se deter em nenhum.
E de repente a sensação de vazio se perde no tic tac das horas e a tristeza dá lugar à reflexão.
A vida é curta, mas precisa ser vivida. Não importa mais em que ponto o caminho se perdeu ou a história se rompeu, porque aos vinte, aos trinta ou aos oitenta, passando pelos mesmos lugares posso fazer uma história diferente. Não preciso me deter num minuto, posso transpor cada segundo como se fosse o último e me surpreender com o tempo que passou. O cristal da vida brilha através de mim e não do tempo. Posso recompor o prisma, posso reconstruir meu tempo interior e ressignificar minhas prioridades.
Compreendo o sentido da palavra passado e espanto os fantasmas dos tempos idos. Deixo de lamentar o que não foi feito, não há mais tempo para arrependimentos. Não importa se tenho um, dez ou vinte anos mais. Assumo que meu tempo não se mede por dias, ele é feito de segundos e estes, eu os tenho de sobra.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

El miedo de ser feliz




Hoy he decidido hablar de la dificultad de ser feliz.
Algunas personas creen que no se puede ser feliz porque el miedo y la incertidumbre nos acompañan, la violencia nos aprisiona, la ingratitud nos deprime, la traición nos desuela y la falta de dinero nos limita. Pero, mientras que algunos piensan así, otros disfrutan y se divierten como pueden.
Ríen, pasean, trabajan, van de compras y creen que la vida es maravillosa.
¿Qué os hace diferentes? Es el deseo de ser feliz!
Todos los días nos encontramos con personas en dificultades, sufridas, que ansían por una perfección neurótica, enmarcada en los patrones que no se armonizan con las exigencias y las expectativas del otro. Un sentimiento que bloquea nuestras acciones, porque siempre estamos queriendo hacer cosas y controlar el máximo todo que nos rodea para nos disgustar lo mínimo posible. Pero la sensación de que no nos aceptan es permanente, aunque nos esforcemos, y en este deseo omnipotente de control nos tornamos exigentes e intolerantes.
Pasamos  a  nos irritar con el comportamiento de los demás sin darnos cuenta de que lo que nos irrita es precisamente aquello que tratamos de ocultar en nosotros mismos.
Pero ¿por qué estamos siempre pegados a la negatividad?
Porque tenemos tanto miedo de ser feliz cuanto de sufrir. 
Pensar en el mal hace que, como por magia, alejemos de nosotros el peligro y ocultemos nuestros ideales para mantenerlos protegidos.
Esas son creencias que hemos adquirido aún muy pequeños, cuando se nos enseñaran que siempre debemos estar vigilantes porque estamos a merced de la envidia y de la rabia de nuestros enemigos. Por un lado este tipo de pensamiento es un bálsamo para nuestro orgullo, después de todo, si algo sale mal, sólo tenemos que mirar a la vuelta y buscar un chivo expiatorio.
Pero eso no aplaca nuestra angustia.
Para obtener un culpable causamos en nosotros el sentimiento de rechazo: si nos hacen daño es porque no somos amados y, así, se queda cada vez más difícil vivir en este mundo hostil que creamos. Eso me lleva a recordar  una historia que oí.
Cuentan que en la entrada de un pequeño pueblo había un viejo que estaba siempre sentado observando el paisaje y prestando informaciones a los conductores que pasaban por allí. Un día se le acercó una pareja que quería saber cómo era el pueblo, pues pretendían vivir allí. El hombre pensó y les preguntó: “¿Cómo es el lugar de dónde vienen? A lo que respondió el conductor, " por desgracia es una ciudad fea, sucia, la gente es incapaz de amar y respetar a los demás, va a ser un alivio salir de allí”.
El viejo se rascó la cabeza y respondió: " Yo creo que no te gustará vivir aquí. Todo lo que quieren dejar atrás es lo que encontrarán.
Pocos días después, otra familia y una vez más al viejo se hacen la misma pregunta. El anciano cuestiona los visitantes cuanto la ciudad de donde provienen y escucha: “Oh , mi ciudad es maravillosa. Conocemos a mucha gente y tenemos muchos amigos. Echaremos de menos..." Al oír esto, el viejo abre una gran sonrisa y dice "bienvenidos, ustedes serán muy felices aquí. Este pueblo es limpio y acogedor. "
Un joven que había escuchado ambas conversaciones preguntó, confundido, al anciano: “¿Cómo puede ser eso? A un usted ha dicho que el pueblo era malo y para el otro que es una maravilla...“
El anciano en voz baja respondió: " Yo no mentí, ni fue contradictorio. Cada uno de los hombres que me han acercado tendrá de la ciudad la misma visión del mundo que lleva dentro de sí mismo”.
Bueno, mis amigos, cada uno de nosotros ve la vida con los colores que lleva. El problema es que siempre estamos buscando la combinación perfecta, la orden perfecta, la persona perfecta, un mundo sin defectos, lleno de historias con finales felices, cuando se necesita para ser feliz simplemente vivir un día a la vez, en la sencillez que la vida nos ofrece.

Gracias por venir a mi blog.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Ajudando-nos a crescer espiritualmente.

Depois de tanto tempo afastada retomo meus escritos. Quando estamos longe, nos parece difícil voltar, e realmente o é. É preciso força de vontade para retornar e dizer: "Oi, estou de volta!" Mas acima de tudo existe um contentamento por estar em casa, rever nossas coisas, nosso espaço...
Pra isso, olhei meus textos mais recentes e pensei com qual eu poderia voltar, mas nada melhor que chegar em casa e falar dos nossos sentimentos, por isso aproveitei  o resultado de uma conversa que tive ontem (13/12/2013) com minha filha.
Ela me falou sobre um video com uma "pegadinha" em um bairro "de negros" nos EUA, onde 3 atores 1 negra - cabeleireira, 1 negro - cliente e 1 loura- namorada do cliente, viviam a seguinte situação em um salão: a profissional enquanto trabalhava no cabelo do rapaz se insinuava pra ele, nisso a namorada branca chega e o cumprimenta. A cabeleireira então passa a ofender a garota, dizendo que o rapaz não deveria namorar uma branca e diz  uma série de desaforos e impropérios. Na primeira exibição uma mulher a defende, na segunda todos se calam, na terceira um rapaz toma sua defesa quando ela sai do salão, magoada, e na 4ª apresentação, uma mulher chama a atenção da profissional e lhe dá uma lição mais que moral, uma lição de amor ao próximo que leva a atriz às lágrimas.  Como não falo inglês minha filha foi traduzindo os diálogos e essa última mensagem ficou martelando na minha mente porque é EXATAMENTE o que eu penso. 
Então deixo aqui meu sentimento, minha postura diante dessa questão tão debatida ultimamente que é o preconceito. 

E eu penso assim:
"Já houve dominação por tempo demasiado longo, não é hora de querer começar outra, mas de caminhar juntos. Negros, brancos, amarelos, vermelhos... homo, hétero... cristãos, não-cristãos... não somos tipos de pessoas, somos pessoas de diferentes tipos físicos, mas isso não é problema porque se fosse seríamos todos defeituosos, a começar por nossas mãos: não temos um dedo exatamente igual ao outro e nossas mãos se unem perfeitamente a outras em um aperto de mão, se adapta a um carinho... Deveríamos odiar nosso lado direito, já que não é exatamente igual ao nosso lado esquerdo. Já perceberam isso na hora de comprar um sapato? Pode parecer um exemplo tolo, mas somos todos parte de um grande corpo chamado Terra. Não somos nada uns sem os outros. Se antes nos machucamos foi porque não tínhamos o entendimento que temos agora. Progredimos... pelo menos quero crer que progredimos moral e espiritualmente. E a única forma de demonstrarmos isso é através do perdão e da reconstrução. Ninguém é melhor que ninguém, somos iguais. Todos sofremos os efeitos das mesmas leis universais. Sair da condição de dominado para a condição de dominador não é lutar por direitos, mas extravasar o ódio através da vingança. Ninguém sai ganhando. É apenas trocar uma ignorância por outra. Não faz sentido. Como disse a pessoa no video: tudo deve terminar com abraços (hugs) help us grow spiritualy - ajudando-nos a crescer espiritualmente (algo assim)." 

Eu acredito nisso, e você?

Obrigada por visitar o meu blog

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Projeto 365 dias de Construção

Iniciei no dia 1º de janeiro de 2013, em minha página do facebook - https://www.facebook.com/EspacoVidaEmConstrucao, um projeto que chamei de 365 dias de construção. Todos os dias, desde então,  eu publico uma mensagem construtiva. 
Compartilho com vocês na página "Projeto 365 dias" os links de cada uma delas  dentro do mes correspondente. Espero que apreciem. Beijos.

Muito obrigada por visitar o meu blog.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Reflexões Matinais II

Hoje, a minha reflexão está voltada para um dos grandes problemas da atualidade: a depressão.

Fico pensando nessa dificuldade de interagir com a realidade, de assumir as dores como algo natural e passageiro.
Penso nessa coisa do aceitar o que vem de fora como verdade e a tendência em absorver os golpes desferidos por terceiros.
Geralmente, com autoestima zerada, o indivíduo incorpora crenças e se submete a todo tipo de imposições até que, sem poder suportar, procura conforto e sobrevivência na tristeza profunda.
É como se encerrasse qualquer possibilidade de diálogo interno, qualquer compreensão para não sofrer ainda mais.

terça-feira, 12 de março de 2013

Reflexões Matinais I

 Bom dia, queridos leitores
Aqui, um dia chuvoso e frio.
Em minhas reflexões matinais pensei em nossa elasticidade para suportar os problemas.
As vezes, as dores, decepções e/ou frustrações nos esticam até um limite que parece insuportável.
Parece que vamos arrebentar por dentro...
Uma das funções do elástico é adaptação, porém quando colocado em uma situação de extrema tensão ele pode arrebentar, afrouxar, arremessar e até nos ferir por uma de suas pontas.
Nós também temos a adaptação como uma de nossas qualidades.  Diante das diversas situações sempre procuramos o melhor caminho, a melhor estratégia, mas submetidos a constantes pressões e angústias, algumas vezes tomamos o caminho inverso da solução, ou seja, ao invés de nos colocarmos em posição de tranquilidade para melhor enxergar o todo, nos focamos em um ponto e nos esticamos ao máximo para alcançá-lo.
Já repararam como nessas ocasiões ficamos exaustos, com dores pelo corpo e como a nossa vontade transita pelos campos da explosão, da inércia (uma vontade louca de deixar pra lá), de jogar tudo pro alto e  o da autopiedade, quando nos ferimos dia após dia, pensando no quanto somos injustiçados e sofredores?
Ainda em comparação com o elástico, podemos observar que uma vez destroçado não se pode consertar. A linha pode ser reutilizada, o cordão emendado... mas o elástico, não tem jeito: arrebentou precisa ser trocado.
Conosco acontece o mesmo. Quando a nossa elasticidade está comprometida o risco de depreções, estresse, fobias e até suicidios aumenta consideravelmente.
Porque perdemos a capacidade de nos mover dentro dos acontecimentos diários o nosso elástico interno explode em enfartos, AVC... Afrouxa em depressões... arremessa partículas de medos para todos os lados transformando nossa existência em uma grande onda de fobias.Em todos os casos a tensão se volta contra quem o estica, mas o suicídio ainda é seu ato mais doloroso, aquele que atinge o alvo. Não podemos esquecer que, quando nos permitimos sofrer em demasia o nosso único alvo segue sendo nós mesmos.

Pensemos no assunto:
Temos como opção continuar esticando nossos sentimentos dentro desse circuito ou escapar e traçar novos caminhos. O elástico só vale a pena ser esticado quando para nos impulsionar para novas conquistas. Nesse caso ele mantém sua flexibilidade, qualidade imprescindível para nossa saúde física, mental e espiritual.
Beijos

Obrigada por sua visita. Deixe seu comentário, ele é sempre muito importante e contribui para ampliar nosso campo de compreensão.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Bondade: Benção ou Maldição



Estamos sempre ouvindo falar em amar ao próximo, em ser bom, fazer o bem sem olhar a quem...
Fico pensando se estamos entendendo de forma correta o que nos é ensinado no decorrer da vida.
Por causa de interpretações equivocadas muita gente tem sofrido e muitas hão de sofrer.
Há uma forte tendência em achar que ser bom e ser bobo são as mesmas coisas.
Vocês já repararam que existem inúmeras pessoas que passam a vida toda cuidando dos outros e esquecendo-se de si mesmas?
Não estou falando daquelas que escolhem o voluntariado como rota. Mesmo nessas condições se observarmos algumas delas vamos verificar que possuem um histórico de tristezas e que foram levadas pela dor a cuidar de outros. Mas sei que isso não é regra e não é sobre essas pessoas - que parecem felizes com o que fazem - de quem eu quero falar.
Quero falar daqueles que passam a vida sendo vítimas de suas culpas, de seus medos e crenças. Aquelas pessoas que aprenderam que para ser aceito é necessário fazer tudo que está ao seu alcance e além para agradar o outro.
Podem observar, tem gente que mesmo sendo traído, magoado, vilipendiado continua ali, como se nada tivesse acontecido.
Normalmente são pessoas que vivem em constantes altos e baixos. Por quê? Porque quando conseguem se levantar, alguém se aproxima pedindo ajuda e, pronto: lá vai ele de novo. Até que ponto essa ajuda é bondade?
Aqui temos que fazer um aparte. Realmente o cidadão quer ajudar, mas também existe embutida nessa ajuda a culpa por estar bem enquanto tantos padecem, ou coisa do tipo: eu não quero que passe pelo que passei. E quando abre os olhos já se deu mal novamente.
Conhece alguém assim? Qualquer semelhança é mera coincidência...
Geralmente são indivíduos fracos, que estão sempre ajudando alguém pra não ter que pensar em seus próprios problemas. Até porque na maioria das vezes se acham pouco merecedores de sucesso.
Também é necessário entender que a ajuda prestada não é totalmente desinteressada. Quando ele está na pior, e sempre termina na pior, espera que o outro venha em seu socorro. Qual não é a sua frustração, o seu sofrimento quando descobre que isso não acontece, ou pior, isso não vai acontecer de jeito nenhum.
Ele se enreda na angustia, na desesperança e perde o controle de vez.
É aí que entram as frases que eu citei no início do texto.
Ser bom ou bonzinho se transformou em obrigação, mas não se questiona o verdadeiro sentido da palavra.
Fui procurar o significado da palavra BOM no dicionário  Aulete digital. Achei:
1.      Que tende a uma atitude propícia, favorável na relação com os outros seres; bondoso; generoso; magnânimo; benévolo, solidário. . (uma boa ação, um bom coração)
2.      Que (coisa ou ser ou circunstância) corresponde, em quantidade ou em qualidade, às necessidades, à expectativa, ao que se tem como adequado e satisfatório para tarefa, função, funcionamento, atendimento etc.
3.     Que demonstra afabilidade, civilidade, que revela eficiência, que cumpre seu dever;
4.       Que tem validade, autenticidade; que se curou;
5.       Coisa agradável, prazerosa. Que agrada pelo sabor, que é agradável ao paladar; saboroso; gostoso.
6.       De condições favoráveis; aprazível; agradável;
7.       Pessoa de valor em seu ofício ou profissão, que é competente numa dada atividade.
Para a palavra BEM, encontramos:
1.     De modo bom e conveniente;
2.     Sem falhas, com acerto, em alto nível de qualidade;
3.     Com saúde, bem-estar;
4.     Com nitidez, distintamente;
5.     Com comodidade; à vontade;
6.     De forma correta, justa.
Como podemos notar, ser bom significa ter uma atitude empática, favorável e de solidariedade,  na relação saudável com outros seres. É bom aquele que corresponde com qualidade às necessidades e expectativas, aquele que se tem como adequado e satisfatório para uma situação.
O dicionário fala ainda que essa relação ou circunstância deve ser agradável, prazerosa, ou seja, ser bom não pode ser algo que nos traga sofrimento. Quando fazemos uma ligação com a palavra bem, o sentido fica ainda mais claro.
Ser bom é fazer o bem, logo, ser bom é fazer com qualidade aquilo para o qual estamos preparados e de forma correta e justa. É algo que, decididamente, nos deixa cômodos, à vontade conosco e com o outro.
Verificando a relação doentia que alguns indivíduos mantêm por medo, culpa, baixa autoestima ou simplesmente incapacidade de dizer não, vamos perceber que não há de fato uma relação de alto nível. O que ocorre é uma ânsia de agradar de um lado e um comodismo ou aproveitamento do outro.
Não estamos aqui para julgar essa ou aquela conduta, mas é sempre bom entender o que geralmente ocorre até como uma forma de enxergar nossas próprias atitudes diante de determinadas situações que se repetem de tempos em tempos. A religião nos passa a ideia de Bondade ligada ao sacrifício, a Sociedade exige da bondade submissão. Para família o bom é bonzinho e para os amigos, camarada, irmão, chegado...
E para o indivíduo em questão? Boa pergunta. Cada um se sente de acordo com suas próprias angústias, o certo é que cansa.
E você, o que diz?

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Quando mudar se torna imprescindível.

Não há como negar: somos seres insatisfeitos por natureza.
Estamos sempre buscando aqui e ali uma forma de preencher o que nos parece um vazio imenso.
As vezes, por medo do diferente, ficamos uma vida inteira no básico, sonhando com o mais alto.
Outras vezes, nos arriscamos - só um pouquinho - e, desiludidos com a primeira dificuldade, voltamos para o aconchego da mesmice. Aconchego, eu disse? Que raios de aconchego é esse que nos atormenta, que tira nossa paz e nos transforma em seres arredios, invejosos, frustrados e mal-humorados? Na verdade a palavra correta seria "comodidade", voltamos para a comodidade da nossa vidinha sem graça e sem novidades.
Observamos, de longe, os ousados. Aqueles que se atrevem a fugir do lugar comum, que buscam realizar seus sonhos, que atingem quantas metas lhes são possíveis alcançar. Algumas vezes os rotulamos de malucos, de insensíveis (porque não se incomodam com os que ficam para trás, dentre estes nós mesmos). Achamos que os indivíduos que se aventuram são irresponsáveis ou têm sorte na vida. Na verdade, são inconformados. Ok, todos nós somos. Mas existe uma diferença: Alguns se ajeitam no inconformismo e faz disso profissão e outros decidem transformar essa característica em alavanca para novas idéias, novos desafios. Esses são os que vencem.
Mas - sempre existe um mas,  a natureza humana é provida de desejos. Por mais que nos acomodemos a uma determinada situação, uma hora nos cansamos, o copo transborda, a consciência clama... e bate aquele desejo de mudar, de transformar nossa vida, nossa existencia. Infelizmente esse desejo nem sempre vem por livre espontânea vontade. Uma doença, uma dificuldade econômica, enfim, uma crise qualquer vem e puxa o gatilho. Sim, o desejo é como um projétil. Uma vez puxado o gatilho não há quem o segure. Mas cuidado! Ele sempre ricocheteia e volta para nós, em resposta.
É mais ou menos assim: Se eu quero algo viável, ele vai bate no alvo e volta para incrementar novas conquistas. Se o que eu quero está desprovido de intenção e força ele encontra esses obstáculos e volta com intensidade suficiente para nos derrubar... de frustração.
Mas voltando ao " Um Projétil chamado Desejo" (que tal um filme com esse nome?), depois de deflagrado o melhor é analisar sua trajetória. O bom disso tudo é que o caminho que ele percorre pode ser mudado e/ou direcionado por nós. Não há aqui nenhuma contradição com o que eu disse anteriormente. Vejam que não podemos conter o desejo quando ele surge, mas podemos direcioná-lo. Tentar conter significa que ele vai explodir em nós, matando nossa autoestima, descolorindo nossa existência. A vontade pode ser aprisionada e até destruida, porém o desejo não. 
Nessa perspectiva de avanço, de levantar, sacodir a poeira e dar a  volta por cima, há uma medida que precisa ser tomada para que a coisa funcione: chama-se mudança.
Tem pessoas que acreditam que se mudarmos de casa, de cidade, de amigos... a vida muda.
Desculpe! Estão redondamente enganados. A não ser é claro que você deixe tudo para trás, e quando digo tudo estou me referindo ao subjetivo, ao emocional porque o que é material não conta. 
E se você tem coragem de abandonar todos os velhos conceitos entao você está mudando. Está obedecendo ao desejo de transformação. Parabéns!



Obrigada, por prestigiar meu blog.

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Por que desisto?
Autoafirmação

sábado, 12 de janeiro de 2013

Tarefa para hoje: Equilíbrio



Trabalho árduo esse de tentar se equilibrar entre as verdades do mundo e as nossas interrogações. (Isabel Ruiz)


 Eu tenho tido algumas experiências nesse sentido, acredito que todos nós temos. O importante é não ficar com a sensação de que a balança pendeu mais para um lado, principalmente se for para o externo. Sempre há uma questão ou alguém que nos motiva a dizer sim quando gostaríamos de dizer não ou a seguir um caminho quando desejávamos seguir por outro.
Isso sempre causa certa dissensão entre o que somos e o que, ou em como, gostaríamos de ser.
A frustração, geralmente, tem início aí, nessa divergência de comportamento que compromete sobremaneira o emocional. O que acontece daí pra frente fica fácil de prever: pessoas amargas, rancorosas, com medo de tudo e desatentas com suas próprias necessidades.
É claro que não tem sentido nos transformarmos em seres egoístas cujo mundo está centrado no próprio umbigo, mas também não devemos esquecer a nossa individualidade, a capacidade que temos de ser diferentes em um mundo massificante.
Fazer a diferença pode ser um passo para a solidão de idéias, mas é a chave que nos liberta da gaiola de ouro dos tolos em que tentam nos manter, aprisionados e domesticados.
Quando alcançamos o equilíbrio entre o que vemos e o que sentimos fica mais fácil administrar as toneladas de emoções que nos bombardeiam diariamente.
Porém quando se fala em equilíbrio há que  ressaltar que não se trata de algo exato, inflexível. Ao contrário, encontramos o equilíbrio justamente quando aceitamos as situações como se apresentam procurando nos manter conscientes de sua real importância e do nosso envolvimento.
J. Thurker, assinalou que não devemos olhar para trás com raiva, nem para frente com medo, senão que ao nosso redor com atenção.  Conseguir isso é alcançar o equilíbrio. Quando nos colocamos a mercê do externo fugindo do que é nosso, transformamos nossa existência em um terrível “tudo que seu chefe mandar”. Não há como impedir a revolta e a raiva ao olharmos para trás e verificarmos que não somos mais nós mesmos, perdemos nossa alma para o que  está fora de nós, em algum lugar do passado. Dessa forma, tememos o futuro porque não temos uma perspectiva que seja nossa. O equilíbrio não está, portanto em deixar de viver, mas em prestar atenção ao nosso redor e viver cada dia segundo nossos valores. 

 Obrigada por prestigiar meu blog.

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