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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sonhando sonhos



Sonhando sonhos
Não se pode viver de sonho…
O que você está fazendo, menina? Está no mundo dos sonhos?
Sonhando acordada, novamente?
Acorda menina! Deixa de sonhar...

Sossega! Não me desperte, faz parte da natureza humana o sonhar. Esse deixar-se levar pela imaginação, navegar pelas águas da ilusão.
Quão doce é essa experiência que aprendemos desde pequenos.
A mamadeira atrasada, o colo adiado, a espera do presente de Natal, a festa de aniversário prometida...  O primeiro amor, o primeiro baile...
Tudo que entrava no nosso campo de desejo virava sonho. Aprendemos a nos projetar para o futuro, a vivenciar experiências de forma tão profunda, que às vezes nos parecia que o sonho era real.
Então vozes da razão nos traziam de volta, como se estivéssemos errados, como se sonhar fosse pecado. E transformamos em crença a ideia de que devemos fincar os dois pés no chão, em nome da responsabilidade de ser alguém.
Hoje, neuróticos e estressados buscamos esse indivíduo que gostaríamos de ser. O que somos agora não preenche esse vazio que, de tão profundo, se tornou existencial.
Pensava nisso quando sentia falta do “não sei o que”, ainda penso quando vejo alguém chorar as perdas do caminho, a indecisão de seguir sozinho e o estranho medo de não ter medo.
Penso e chego a seguinte conclusão:
Sonhar faz bem para alma, combate o estresse e melhora o humor. Sonhar não é se prender a outra realidade, viver de delírios e alucinações, o nome disso é Psicose. Sonhar é se sentir livre para voar, criar projetos e imaginá-los realizados, é experimentar a alegria de um (re)encontro, antecipar o prazer de uma conquista.
Quando sonhamos acordados estamos nos preparando para a vivência de tornar possíveis nossas aspirações.
Estar “no mundo da lua”, não é querer o que não nos pertence ou que não está ao nosso alcance. É subir o mais alto possível para enxergar nossas possibilidades. Suas fases são movimentos de crescimento e por isso se tornou símbolo de renovação, transformação e evolução.
Levando em conta que a Lua não é um corpo luminoso, mas um corpo iluminado pelo Sol, quando falamos em fase da Lua estamos nos referindo a quanto de sua face iluminada pelo Sol está na direção da Terra. Em analogia, podemos dizer que as fases dos nossos sonhos – que não possuem luz própria, mas são iluminados por nossa luz interior – obedecem ao mesmo critério, partindo dos nossos devaneios para a concretude, mostrando finalmente sua face iluminada ao ser realizado.
Lua Nova, ou sonho novo, ainda interiorizado; quarto crescente, quando já distinguimos o sonho pela luz que o envolve, é quase um projeto. Sonho (Lua) cheio, repleto de ideias e criatividade, mais que um sonho, uma meta alcançável. Realizado, nosso sonho se torna uma Lua em quarto minguante, esvaziado para dar lugar a outras fases, outros sonhos.
Simples assim, viver no mundo da lua é viver para superar fases, traçar metas e evoluir até elas...
Portanto, acorda menina(o)! Arregace as mangas e, sem medo de errar, escolha crescer sem perder a capacidade de sonhar.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

É preciso coragem



"...Verdadeiramente, aquele que olha o espelho da água vê em primeiro lugar sua própria imagem. Quem caminha em direção a si mesmo corre o risco do encontro consigo mesmo. O espelho não lisonjeia, mostrando fiel­mente o que quer que nele se olhe; ou seja, aquela face que nunca mostra­mos ao mundo, porque a encobrimos com 'A persona', a máscara do ator. Mas o espelho está por detrás da máscara e mostra a face verdadeira.
       Esta é a primeira prova de coragem no caminho interior, uma prova que basta para afugentar a maioria, pois o encontro consigo mesmo per­tence às coisas desagradáveis que evitamos, enquanto pudermos projetar o negativo à nossa volta. Se formos capazes de ver nossa própria sombra, e suportá-la, sabendo que existe, só teríamos resolvido uma pequena par­te do problema".
                                                                      (C.G. Jung - Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo)

Eu sei que não é fácil. Simplesmente não se pode, de uma hora para outra, admitir aquilo que somos. É preciso coragem!
Não ser perfeito, não ser o mais belo, não ser um gênio em qualquer área da vida... Não ser cem por cento aceito pela maioria se torna uma dor, um sofrimento. Criamos em nós uma rigidez absurda que tolda nossa visão do real e passamos a viver de anseios irrealizáveis, criticando, nos outros, o que não aceitamos em nós.
Desejamos sempre aquilo que está distante, como se a felicidade pudesse ali estar; como se toda a nossa existência dependesse dessa conquista. Mas esse é um desejo sem medida, que não se aplaca, pois, alcançando o objeto de cobiça voltamos a atenção para outra direção.
É de nossa natureza não se satisfazer, viver nessa eterna insatisfação que ao mesmo tempo nos impulsiona e nos angustia.
É de nossa natureza o medo do fim, do nada, da perda. Queremos acumular para não faltar: acumular bens materiais e dons espirituais. Queremos a aceitação e o reconhecimento para nos confirmar como seres existentes. É a falta e não a presença que movimenta a roda da vida. Na incessante busca pela completude percebemos nossa fragilidade e criamos as máscaras que nos ajudarão a enfrentar os desafios, e as atarraxamos tão fortemente que perdemos a noção do Eu, ligados que estamos na presença do outro. Desconhecemos nossa essência, nossos valores. Perdemo-nos no automatismo, na inflexibilidade e no despotismo que mantém submissos nossos sonhos e ilusões.
Realmente não nos conhecemos, vivemos como estranhos que não se respeitam. Quebramos as regras da autoestima, criando imagens distorcidas, fragilizadas e carentes.
Enclausuramos nossa criatividade na vontade do outro, adotamos suas crenças limitantes como sendo nossas e deixamos de ser felizes por temermos rasgar os véus interiores e espantar os fantasmas que nos mantêm cativos.
Descobrir-se é um rito de coragem, necessário, importante. Descobrir-se pode ser um doloroso ato de crescimento, mas sempre um voo para a liberdade. É a expansão da alma, a descoberta de ser alguém, único, com caminhos e desempenhos próprios. Dono e responsável por seu próprio destino.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Respondendo a pergunta de uma leitora

No dia, 23 de agosto uma leitora do blog fez uma pergunta que está relacionada a um texto sobre ódio que escrevi aqui:  http://espacovidaemconstrucao.blogspot.com.es/2010/02/o-odio.html.
Vou responder em forma de post porque ficou um pouco longo para inserir em um comentário.

A pergunta é a seguinte:
Valéria disse...
Olá Bel,

Duas pessoas que se relacionaram por pouco tempo, uma delas após o acontecido não quer mais nenhum tipo de relacionamento age de uma forma repugnante em relação ao outro. Isso é ódio? se sim que tipo de ódio?
Vamos à resposta:

Para que possamos identificar melhor o sentimento,  vou traçar um paralelo entre o ódio e a mágoa, sentimentos que podem surgir no fim de um relacionamento.

No ódio temos uma atitude que vem acompanhada de uma dose de agressividade física, verbal ou emocional enquanto que na mágoa, na maioria das vezes, temos a lamentação, a tristeza, o choro e a imputação da culpa de forma dramática. Já no ódio, temos exacerbado o sentido de vingança, a raiva contida ou não.
O mais interessante é que o indivíduo que odeia está sempre perto do outro, por isso dizemos que o ódio aprisiona.
Na mágoa é comum o magoado desejar o bem daquele que o fez sofrer. Na maior parte das vezes esse desprendimento tem um significado muito particular: manter-se no estado de vítima - quanto melhor ele/ela estiver mais visivel será meu sofrimento e minha grandeza de espírito.
No ódio, ao contrário, a pessoa fará tudo que estiver ao seu alcance para que o outro sofra.
Quando o ódio surge depois de um relacionamento desfeito, podemos entender que houve uma  decepção,  frustração, ou seja, o outro não foi o que se esperava dele. Como podemos ver, o indivíduo apostou todas as suas fichas no relacionamento, criou expectativas absurdas e irreais, depositou no outro seus sonhos e o enxergou com as lentes da idealização.
Nesse caso, o ódio é um sentimento neurótico, causado pelas próprias insatisfações e dificuldades.

Vale lembrar: A mágoa exagerada pode caminhar para o ódio, já que o indivíduo despertando do drama descobre que parou no tempo e tende a tomar o caminho mais fácil: o da revolta. O importante é perceber que, mesmo que alguém nos faça algo imperdoável, se estamos bem conosco saberemos administrar de forma mais madura o evento, sem nos fixarmos obsessivamente na pessoa ou em sua açao.

Espero ter respondido satisfatoriamente a pergunta. Acredito que por essas colocações poderá definir se o sentimento é de ódio e de que tipo é.



Quem quiser ver suas perguntas respondidas no blog é só enviar um email para:
espacovidaemconstrucao@gmail.com, colocando nome e um pseudonimo caso não queira ter seu nome publicado.

Um grande abraço