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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vida vazia - parte 2 - Vazio Existencial

Continuando nossa reflexão sobre vazio existencial, posto aqui uma parábola extraída do livro "O Homem a procura de si mesmo" de Rollo May. Vamos perceber o mecanismo de alienação e de que forma reagimos à falta de liberdade. Bom, vamos à parábola e depois falamos mais sobre o assunto.
   
O homem que foi colocado numa gaiola

Certa noite, o soberano de um país distante estava de pé à janela, ouvindo vagamente a música que vinha da sala de recepção, do outro lado do palácio. Estava cansado da recepção doplomática a que acabara de comparecer e olhava pela janela, cogitando sobre o mundo em geral e nada em particular. Seu olhar pousou num homem que se encontrava na praça - aparentemente um elemento de classe média, que ia tomar um bonde para casa, como fazia cinco noites por semana, há anos. O rei acompanhou o homem em imaginação - fantasiou-o chegando a casa, beijando distraidamente a mulher, fazendo sua refeição, indagando se tudo estava bem com as crianças, lendo o jornal, indo para a cama, talvez se entregando ao ato do amor com a mulher, ou talvez não, dormindo, e levantando-se para sair novamente para o trabalho no dia seguinte. E uma súbita curiosidade assaltou o rei, que por um momento esqueceu o cansaço. "Que aconteceria se conservassem uma pessoa numa gaiola, como os animais do zoológico?"
No dia seguinte, o rei chamou um psicólogo, falou-lhe de sua idéia e convidou-o a observar a experiência. Em seguida, mandou trazer uma gaiola do zoológico e  homem de classe média foi nela colocado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Vida vazia

Hoje ouvi alguém dizer que sua vida era um enorme vazio.Uma pessoa bem colocada, com bom salário e horários preenchidos pelo trabalho.
Engraçado que ao falarmos em vida vazia pensamos logo em alguém parado, sem ter o que fazer, sem pretensões ou projetos, mas o vazio vai mais além, porque é a ausência de si mesmo.
No prefácio de seu livro "O Homem em Busca de Si Mesmo", Rollo May diz que uma das poucas alegrias da vida numa época de ansiedade é o fato de sermos forçados a tomar consciência de nós mesmos.
Infelizmente essa tomada de consciência não acontece de imediato e tampouco é indolor.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tem certeza?

Você tem certeza que viu o que pensa ter visto? Certeza absoluta?
Faço esta pergunta porque essa coisa da certeza absoluta já deixou muita gente em maus lençóis. Afirmar categoricamente que uma coisa é realmente aquilo que se vê é perigoso à medida que cada um de nós pode ter uma visão diferente do mesmo objeto. Quantas vezes lemos, repetidamente, uma frase e notamos que lemos errada uma determinada palavra? Quantas vezes vimos alguém de longe e ao nos aproximar percebemos que nos enganamos? Pior ainda, pensamos ter visto um conhecido em uma situação comprometedora e era apenas alguém muito parecido.
Bom, gente, isso é o que os nossos olhos enxergam, ou melhor, é aquilo que queremos ver. Se analisarmos friamente, não foram nossos olhos que nos enganaram, mas nossos desejos ocultos. O que eu quero  dizer é que provavelmente haverá uma explicação coerente para esse deslize. E quando a situação não é aquilo que enxergamos, mas o que entendemos da fala do outro? Aí a história fica ainda mais complicada. Vai estar em jogo não apenas o que você entendeu, mas a intenção do outro e, além disso, permeando esse impasse estará o orgulho. Sim, porque não pense você que uma das partes aceitará, facilmente, que a outra possa ter razão. Nesse caso há que se ter em conta a forma como o outro se pronunciou, suas expectativas, sentimento, contexto etc., mas não é só isso, do outro lado o indivíduo que se sentiu ameaçado, atingido, pode ter apreendido aquilo que a sua condição interior concebeu, isto é, se for uma pessoa com baixa autoestima, com um sentimento exagerado de menos valia, interpretará as palavras do outro como algo ofensivo, dirigidas claramente a ele.
"Quem conta um conto aumenta um ponto", um antigo ditado que não merece contestação. Sempre que falamos de algo que vimos ou ouvimos adicionamos a nossa versão dos fatos. É como se a história inicial fosse continuamente reformulada ao gosto do narrador. Depois de algumas andanças de boca em boca, provavelmente estará muito diferente da original. Talvez mais carregada de emoção, de brilho, de eufemismos, desfemismos e maldades.
Acontece que normalmente nos apegamos a uma parte da história. Àquela que nos chama mais a atenção ou com a qual nos identificamos. É mais ou menos assim:




Tomemos como base a figura










À primeira vista, sem um exame cuidadoso, homens e mulheres poderão ter uma reação distinta: uma bela morena, usando fio dental e criando sentimentos que vão da cobiça à inveja. Mas essa cena é uma parte de um todo. Se mostrarmos o restante do "corpo" da bela morena, veremos que os nossos desejos e/ou as nossas dificuldades com a nossa aparência podem nos levar a um julgamento precipitado.
Querem ver?