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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A mulher e a cultura do belo

A mulher, em toda história humana, foi a primeira a sofrer discriminação e sem poder fugir ou reagir, já que sua relação com o opressor sempre foi muito estreita e necessária. No decorrer da história a mulher foi mantida cativa por um método cruel e eficiente, sendo atingida em seu corpo e em seu amor-próprio atribuindo-lhe nódoas e culpa sexual. A ela foram inculcados anos e anos de inseguranças e medos. O próprio Freud (1856-1939), pai da Psicanálise, tinha pelas mulheres um olhar condescendente, referindo-se a elas como “o sexo frágil” ou “as delicadas”. Contrapondo-se a essas idéias, Otto Rank (1884-1939) e Alfred Adler (1870-1937), psicanalistas austríacos e discípulos de Freud, consideravam o preconceito contra as mulheres uma “doença cultural”.

Mas a mulher vem desde há muito, tentando se sobressair num mundo voltado para homens e muitas coisas aconteceram para que conseguisse assegurar um lugar ao sol. A verdade é que na busca pela liberdade a mulher quedou-se cativa de outra ordem de escravidão: a da beleza e perfeição.
De uma forma bem sutil, mas não menos maquiavélica, a cultura da estética vem estereotipando a mulher e limitando sua personalidade. Então, se de um lado a estética lhe cobra beleza, de outro a cultura mercantilista lhe dá a oportunidade de crescer profissionalmente, estimulando a competir com os homens, e a aderir à sua forma de pensar e agir.
Em contrapartida, a imagem feminina explorada nos outdoors, nas revistas de moda, revistas masculinas e em propagandas de cerveja e de carro, entre outras, dá a idéia de que para ser aceita a mulher tem que ser linda e sexy e que esses atributos dependem, única e exclusivamente, de um corpo esteticamente perfeito. Essa imagem estereotipada satisfaz a sociedade de consumo porque, cada vez mais, as mulheres se entregam à compra desenfreada de produtos “milagrosos” que prometem combater a celulite e os sinais do tempo. Ainda nesse campo, a cirurgia plástica que conserta, enxerta e retira, reconstruindo corpos idealizados é a grande vedete ou a grande fada madrinha, que com sua varinha de condão transforma gatas borralheiras em cinderelas, reforçando a idéia de que a gata borralheira, maltrapilha e maltratada é apenas serviçal, enquanto a outra, a bela, dança com o príncipe, casa-se e é feliz para sempre.
E é assim que, assediada apelativamente a todo instante, a mulher busca um padrão ideal, inalcançável, porque se hoje o mito da fragilidade feminina teve seu poder de discurso diminuído por uma ação mais participativa da mulher, é necessário reconhecer que saindo de uma situação de servidão foi induzida a outro tipo de dependência: presa aos modelos tradicionais da cultura machista continua submissa, não mais às várias gestações ou trabalhos domésticos, mas à busca incansável da eficiência e da tríade da perfeição física: beleza, saúde e juventude que a direciona para uma aspiração dolorosa de um ideal de corpo.
Ditando regras, incentivando o hedonismo, investindo em símbolos imagéticos que irão operar na construção da auto-imagem é assim que age a cultura da contemporaneidade – criando o dever de ser “bela e atraente”, como parâmetro de subjetividade, influenciando na construção da identidade feminina. E a personalidade dessa nova mulher será marcada pela exigência, num contínuo descontentamento com seu corpo, procurando estar no lugar da perfeição, lugar narcísico que lhe dá a ilusão de completude. Nessa procura incessante estará (como está), muitas vezes, brigando com o homem, se opondo a ele, tentando mostrar seu valor através da rigidez e, ao mesmo tempo, deixando-se levar pela ilusão da esteriotipação, da venda indiscriminada de sua imagem, despedaçando sua subjetividade em favor do objetivismo contemporâneo.

Imagem - fonte Brasil Escola - http://www.brasilescola.com/mitologia/afrodite.htm

16 comentários:

Rose Nakamura disse...

Amiga
Favoritei
seus textos são para ler com carinho
depois voltarei para comentar. Seu blog é lindo.
bjs

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Olá amiga Isabel, excelente texto. Realmente a mulher conseguiu sair de um tipo de escravidão e foi para outro.

Bjão.

Leila Franca disse...

Olá Isabel,

Ótimo texto, como sempre. Eu não sou muito vaidosa e quase sempre estou ao natural. Entretanto sinto que as pessoas com quem entro em contato me cobram um outro modo de agir. Por exemplo. Comecei a ter cabelos brancos aos 24 anos e achei tão bonito porque brilhavam. Com 40 e poucos anos deixei meu cabelo ficar branco, mas houve uma reação tão grande por parte dos outros, uma pressão incrível para que eu escondesse o branco dos cabelos. As pessoas me olhavam como se eu fosse um ET, me perguntaram se eu era mãe da minha irmã, que é apenas 6 anos mais nova, me indicavam a fila dos idosos no mercado...kkkkkkkkkkkkkk Foram tantos equívocos, as pessoas pareciam não me enxergar mais, só viam o cabelo. Por fim cansei de tanto falatório e pintei o bendito cabelo. Pronto, o mundo voltou ao normal. rsrssr Nem sempre é a mulher que quer uma aparência perfeita. É a sociedade que exige.

bjs

Principe Encantado disse...

O ser sempre escravo de algo as mulheres em busca da beleza ifeal.
Abraços forte

Sissym disse...

Eu sou muito vaidosa, me cobro muito, especialmente porque não tenho tido condições ultimamente para me tratar como sempre o fiz.
O mundo é competitivo, não precisamos nem pensar em agradar o outro, eu penso mesmo profissionalmente, na aparencia que conta muito.

Isabel Ruiz, disse...

Obrigada, Rose. Você sempre carinhosa. Fico muito feliz com a sua presença.
Beijos
Bel

Isabel Ruiz, disse...

Pois é amiga Leila, é o que eu digo: a sociedade exige e para não sofrer discriminação, para nos integrar ao grupo acabamos por ceder. Agora, imagine alguém que nascendo e crescendo em meio a esse turbilhão de exigências, acredita que para ser aceito precisa se enquadrar aos padrões... é terrível! O indivíduo perde a consciência de si e passa viver um papel que lhe é imposto e se não consegue se adequar, passa a desenvolver todo tipo de neurose.
Obrigada, Leila, por ler e comentar meu texto. Essas reflexões são importantes e são possíveis, neste espaço, somente porque existem os comentários.
Beijos
Bel

Isabel Ruiz, disse...

Olá, Claudine, obrigada pela visita. Volte sempre.
Beijos
Bel

Isabel Ruiz, disse...

Meu amigo Principe, muito bom receber o seu comentário.
Beijos
Bel

Isabel Ruiz, disse...

Olá, moça bonita (Sissym)! Tudo bem?
Ser vaidosa é bom, não é defeito. Se cobrar também é bom, mas ruim quando é muito.
Concordo com você quando diz que o mundo é competitivo, mas veja, se a aparência conta muito é porque existe um padrão, uma exigência a seguir para alguém ser bem sucedido. Além de ser competente você tem que se apresentar adequadamente. O problema é que essa adequação está cada vez mais dificil de se obter, porque as exigências estão ficando cada vez mais inatingíveis.
Obrigada por te vindo comentar. É sempre muito bom ter margem para mais reflexões.
Beijos
Bel

Sou Mulher ... disse...

Olá Isabel!Excelente texto, parabéns!
Quando eu era jovem, não era muito vaidosa, recebia elogios e ficava sem graça. Quase aos 50,me dei conta de que, deveria ter aproveitado mais a beleza que tinha,qdo. jovem, e me cuidado mais, no sentido de ter maior auto-estima e consciência do quanto eu era bela (e não sabia).
Agora, com quase 60 anos, há momentos em que eu penso que foi muito bom não ter ficado no lado oposto, isto é, não ter exagerado na busca e "apreensão" da beleza . Porque, se o tivesse feito, estaria hoje muito triste, por constatar que a beleza do corpo tem vida muito mais curta do que gostaríamos...
Acho bom ser vaidosa sim, no sentido de se auto estimar e se colocar bem para si e para o outro. Mas nada de exageros, você tem razão, ou todas ficarão desesperadas ao chegar na minha idade ! (hehehe...)
abraço grande, Vera.

Lilian disse...

Olá querida amiga Bel,

Parabéns pelo post.
O texto é excelente.
Concordo com o que a Leila disse, pois às vezes precisamos aderir às "reformas visuais" mais para atender às exigências da sociedade do que a vaidade pessoal.
Quando aposentei, pensei, agora vou dar um pouco de descanso para minha pele(sempre maquiada) e para meus (poucos)cabelos. Mas, que nada, foi cobrança atrás de cobrança de familiares, amigos e amigos dos amigos. Estranharam o meu visual e copmeçaram a perguntar se estava doente, me achavam abatida, e, não teve jeito, precisei voltar ao visual ao qual que estavam acostumados a me ver: impecável (tailleur, sapatos com saltos, cabelos arrumados e maquiagem feita). Dá um trabalho!!!!! Mas eu até que gosto.

Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian

Isabel Ruiz, disse...

Oi, Vera, obrigada por participar.
Um pouco de vaidade é sempre necessário. O problema está nas nossas idealizações.
Cada idade tem a sua beleza, uma ou outra característica que faz um homem ou uma mulher ser atraente. E não falo só da beleza física, mas de um conjunto de coisas que torna uma pessoa bonita.
Obrigada por ter visitado meu blog e ter comentado. Fiquei feliz, pois sua opinião é muito importante.
Beijos
Bel

Isabel Ruiz, disse...

Olá, minha amiga Lilian. Que bom que você veio!
Eu concordo com você e com a Leila. As vezes temos que nos render aos apelos sociais porque as pessoas entendem que um determinado comportamento não é condizente com as regras preestabelecidas. A Leila teve que mudar o visual para se adequar e você teve que manter. Mas em ambos os casos as palavras "teve que" denotam uma imposição que não aceita recusa.
Obrigada, minha querida, pelo comentário.
Um grande beijo
Bel

JORNALISMO ANTENADO disse...

Oi Bel, como todo tema que tem a ver com nós mulheres sempre irá gerar polêmica.A mulher "sexo frágil" deixou de existir a partir do momento que foi obrigada a ajudar o marido nas despesas da casa e muitas vezes exercer o papel de pai e mãe na familia. Posteriormente adotamos uma postura de competitividade, a busca pela igualdade entre os sexos e pela liberdade sexual feminina gerou isso. Só que ao fazer isso a mulher caiu numa outra armadilha, porque ai ela teria que ser ao mesmo tempo, mãe, esposa, profissional e mesmo que faltasse tempo deveria estar sempre linda, sexi e bem disposta. A própria mídia e as griffes de roupa impõe o padrão de beleza que a mulher deve ter para ser aceita e desejada. É o culto a imagem, aliás vivemos na era imagética e quem não se enquadra no padrão pré estabelecido teoricamente não será aceito pela sociedade.
Bom, acho absurdo esse tipo de atitude, esse culto ao corpo , a beleza exterior , não se mede a qualidade de alguém pelo seu biotipo, isso é ação discriminatória. cuidar da saúde é uma coisa, virar refém de academia é outra completamente. Sou muito vaidosa, dificilmente me verá sem baton, lápis, rímel, sombra..rs .. me acho uma mulher bonita , apesar de não me enquadrar nos padrões de beleza estéticos impostos pela sociedade. Vou morrer por causa disso?! Nunca! Me amo muito, acho que tenho muitas outras qualidades e quem tiver que gostar de mim seja no âmbito profissional ou pessoal, terá que aprender a gostar de mim como sou. Se estou errada ou certa em pensar assim, não sei.. mas sei que sou assim, fiel aos meus valores e sentimentos.
Desculpa se em alonguei muito miga..rsrs

Beijos, te adoro.
Márcia Canêdo.

LISON disse...

Saudações!
Que Post Fantástico!
Amiga Bel, mais um belo texto repleto de reflexões sobre tantos acontecimentos que a mulher enfrentou e vem se deparando, dada a realidade de um mundo quase mecanicista. Penso que o ideal é que as mulheres busquem o caminho do meio, da sensatez, onde se prevaleça a sua grandeza e sua beleza natural. Uma vez que, onde está o charme está o encanto e todos se calam.
Parabéns pelo excelente Post!
Abraços,
LISON.